POEMA

Soldados da Paz!…

Eu que fiz a guerra e vi morrer
Heróis exaustos de tanto batalhar…
Eu, que vi o sal das águas a sangrar
Como as chagas de Cristo…

Eu que vi corpos sem forma, mutilados;
Braços boiando, de tronco separados,
Ao lado das tábuas velhas das jangadas…

Eu, que escutei no fragor rude da luta,
Na hora incerta da canibal contenda
(Que de tão longe já, até suponho lenda …)
Gritos e prantos,
Pragas e rogos…

Que entre o crepitar de dois, ou de mais fogos,
Vi a morte de perto…- a rir… e a desenhar
Quadros macabros de trágica beleza,
Sobre a face linda dum tão lindo mar…

Eu, que à luz do sol, no Golfo da Biscaia,
Vi a mocidade sofrer grandioso insulto …
(Matar a sangue frio
É coisa que tem vulto …)
Embora desde sempre
Se mate, assim… - por Bem…

Porque a Humanidade ao travar conflitos
É toda um lobo só…
E não me consta, a mim, que a fera seja alguém…

Que vi a mocidade
Morrer, como morrem pombos nos torneios,
Em busca do céu … buscando a liberdade…
Das nuvens o regaço…
Num luminoso traço
Feito de Paz, de Amor e de Saudade…

Por isso eu tenho horror
Ao que não seja Amor,
Ao que não seja a Paz…

Por isso eu tenho Amor,
Um fraternal pendor,
P’lo Soldado da Paz!…

Não mata;
E evita de tudo, o que mais pode…
Escombros e ruínas
A onde o fogo lavra…
Porque o bombeiro é a última palavra
Escrita no livro das virtudes…

De rosas cobre os berços…

Não abre sepulturas…

Nem cria ataúdes…